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Arraiá do Povo

Tarcísio do Acordeon, Duas Paixões e Guilherme Dantas comandam noite de forró, vaquejada e romantismo no Arraiá do Povo

Programação deste sábado, 6 de junho, na Orla da Atalaia reúne o peso nacional de Tarcísio, a força autoral de Guilherme Dantas, o reencontro de Silvânia Aquino e Berg Rabelo, além da presença popular dos Zueirões do Forró e de Dudu Moral no Palco 360º

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Tarcísio do Acordeon, Duas Paixões e Guilherme Dantas comandam noite de forró, vaquejada e romantismo no Arraiá do Povo
Foto: Divulgação

O Arraiá do Povo 2026 vive neste sábado, 6 de junho, uma noite de força popular, apelo nacional e ligação direta com o mercado que hoje movimenta o forró em diferentes frentes no Brasil. Na Orla da Atalaia, em Aracaju, a programação reúne Zueirões do Forró, Guilherme Dantas, Tarcísio do Acordeon, Duas Paixões — projeto formado por Silvânia Aquino e Berg Rabelo — e Dudu Moral no Palco 360º. A escalação coloca no mesmo ambiente o forró de festa, o compositor que abastece repertórios de grandes nomes, um dos principais fenômenos recentes da vaquejada e do piseiro, a retomada de duas vozes históricas do forró romântico e a presença de um representante do circuito sergipano no espaço 360º. É uma noite que não se sustenta apenas pelo tamanho dos nomes, mas pelo que cada atração representa dentro do período junino: repertório popular, música para dançar, canções que circulam nas plataformas, memória do forró eletrônico e a reafirmação de Sergipe como palco de uma festa que fala diretamente com o público nordestino.

A abertura com Zueirões do Forró cumpre uma função essencial dentro de uma noite de São João: fazer a praça entrar no ritmo antes da chegada dos nomes de maior projeção nacional. Em grandes eventos juninos, esse papel não pode ser tratado como menor. É nesse momento que a festa ganha corpo, que o público começa a ocupar a arena, que ambulantes intensificam o movimento e que a programação deixa de ser apenas uma grade anunciada para se transformar em experiência coletiva. Os Zueirões do Forró entram com a responsabilidade de aquecer a noite com a linguagem direta do forró de palco, voltada para dança, animação e comunicação rápida com quem chega cedo à Orla. Em uma festa popular, abrir a programação exige domínio de público, repertório funcional e capacidade de preparar o ambiente para a sequência. A presença do grupo reforça a importância dos artistas que sustentam o circuito junino fora do eixo dos grandes fenômenos de streaming, mas que são fundamentais para manter a engrenagem das festas funcionando: botam o povo para dançar, seguram a energia inicial e fazem a ponte entre a chegada do público e o momento de maior concentração da noite.

Guilherme Dantas entra na programação com outro peso. Ele não é apenas mais um cantor dentro da grade: é um artista que representa a força dos bastidores criativos do forró contemporâneo. Cantor, compositor, multi-instrumentista e sanfoneiro, Guilherme construiu uma trajetória marcada pela composição e pela circulação de músicas que chegaram ao repertório de grandes artistas do forró e do sertanejo. Esse dado é central para entender sua presença no Arraiá do Povo. O público muitas vezes reconhece primeiro as canções antes de associar imediatamente ao compositor, e Guilherme Dantas pertence a esse tipo de artista que ajuda a moldar o mercado por dentro. Sua carreira solo também ganhou musculatura justamente por unir repertório romântico, domínio de sanfona e capacidade de traduzir em música sentimentos populares do cotidiano nordestino. Em uma noite que tem Tarcísio do Acordeon como principal fenômeno da vaquejada e Duas Paixões como reencontro de vozes históricas, Guilherme ocupa um lugar estratégico: é o elo entre composição, forró atual, romantismo e estrada. Seu show tende a dialogar com o público que acompanha o forró pelas plataformas digitais, mas também com quem reconhece a importância da sanfona e da composição dentro da tradição do gênero.

Tarcísio do Acordeon chega ao Arraiá do Povo como um dos nomes mais fortes da música nordestina surgidos nos últimos anos. Cearense de Campos Sales, ele se consolidou nacionalmente a partir da explosão do forró de vaquejada, do piseiro e de uma sonoridade que aproximou sanfona, paredão, sofrência e linguagem de vaquejada de um público massivo. Tarcísio não é apenas um artista de hits; ele representa uma virada importante no mercado do forró recente. Com músicas que ganharam grande alcance em plataformas, redes sociais e repertórios de festas, ele ajudou a reposicionar a sanfona dentro de uma estética contemporânea, conectada ao consumo digital e ao público jovem, mas ainda enraizada em códigos nordestinos. Sua trajetória tem um detalhe que pesa no palco: ele não chegou ao sucesso por uma construção artificial de escritório, mas por uma caminhada ligada à música desde cedo, à composição, à sanfona e à vivência popular. No Arraiá do Povo, sua apresentação deve concentrar um dos momentos de maior mobilização da noite, porque Tarcísio fala com um público que canta, grava, compartilha, acompanha agenda e consome o forró como parte da vida cotidiana. É atração nacional, fenômeno de massa e símbolo de uma geração que transformou vaquejada e piseiro em produto central do entretenimento nordestino.

A presença de Duas Paixões acrescenta à noite uma camada de memória, reencontro e mercado. O projeto reúne Silvânia Aquino e Berg Rabelo, duas vozes diretamente associadas à fase mais marcante do forró eletrônico romântico, especialmente pela ligação dos dois com a história da Calcinha Preta. Silvânia, sergipana, construiu uma trajetória de projeção nacional como uma das vozes femininas mais reconhecidas do gênero. Sua passagem pela Calcinha Preta marcou gerações, atravessou DVDs, turnês, repertórios românticos e uma relação muito forte com o público nordestino. Berg Rabelo, por sua vez, carrega uma trajetória extensa no forró eletrônico, com passagens por bandas importantes e uma identificação forte com o romantismo que consolidou o gênero no início dos anos 2000. Juntos, Silvânia e Berg não chegam ao Arraiá do Povo apenas como novidade de mercado; chegam como reencontro de duas vozes que fizeram parte da formação sentimental de milhares de forrozeiros. O nome Duas Paixões não funciona apenas como título de projeto, mas como síntese do que eles representam: duas trajetórias, dois timbres, duas memórias afetivas do forró romântico reunidas em um momento de retomada artística.

O show de Duas Paixões tem um impacto particular em Sergipe porque Silvânia Aquino não é uma artista deslocada da identidade local. Ela é sergipana e se tornou nacional a partir de uma das maiores bandas de forró eletrônico do país. Sua presença no Arraiá do Povo, agora em nova fase, dá ao evento uma leitura simbólica: uma voz nascida em Sergipe retorna ao maior arraiá à beira-mar do Brasil em um projeto que conversa com a história do forró eletrônico e com o público que acompanhou sua carreira por décadas. Ao lado de Berg Rabelo, ela reposiciona esse repertório em outro formato, sem depender apenas da nostalgia. O público espera canções que remetam à fase clássica do forró romântico, mas também observa como a dupla se apresenta nesta nova etapa, com estética própria, agenda própria e tentativa de transformar memória em presente. Em uma noite de programação forte, Duas Paixões tende a funcionar como o momento de maior ligação emocional com o público adulto, especialmente aquele que viveu o auge do forró eletrônico nos anos 2000 e reconhece em Silvânia e Berg duas vozes de referência do gênero.

Dudu Moral, atração do Palco 360º, completa a programação com a presença do circuito sergipano e do forró de vaquejada em um espaço criado para aproximar artista e público. O Palco 360º tem uma função diferente dentro do Arraiá do Povo: ele rompe a lógica tradicional da apresentação frontal e coloca o artista em maior contato com a plateia. Para nomes como Dudu Moral, esse formato favorece a comunicação direta, a presença de palco e a construção de um show mais próximo de quem acompanha a festa de dentro da arena. Sua participação reforça a importância de manter artistas locais e regionais dentro da estrutura principal do evento, não como preenchimento de grade, mas como parte necessária da engrenagem cultural do São João sergipano. O Arraiá do Povo se fortalece quando abre espaço para nomes nacionais e, ao mesmo tempo, mantém visibilidade para artistas que circulam no estado, movimentam agendas, alimentam repertórios e ajudam a sustentar a cena durante todo o ano. Dudu Moral chega nesse ponto da programação como representante desse ambiente de forró que não vive apenas dos grandes palcos televisionados, mas das festas, vaquejadas, paredões, interiores e encontros populares que mantêm o gênero em funcionamento.

A noite deste sábado também mostra a amplitude do Arraiá do Povo como produto cultural e turístico. A Orla da Atalaia não recebe apenas uma sequência de shows; ela concentra música, gastronomia, cenografia, circulação de famílias, turistas, trabalhadores, comerciantes e artistas de diferentes linguagens. A Vila do Forró amplia esse alcance com programação própria no Coreto, no Barracão e no Teatro na Vila, criando um circuito que vai além do palco principal. Enquanto a arena recebe nomes como Tarcísio do Acordeon, Guilherme Dantas e Duas Paixões, a Vila movimenta apresentações de artistas sergipanos, grupos culturais, samba de coco, teatro e forró tradicional. Esse conjunto é o que dá densidade ao evento. Uma festa desse porte não pode ser medida apenas pela atração mais famosa da noite; ela precisa ser entendida pela soma entre palco principal, espaços culturais, artistas locais, economia criativa e público circulando em diferentes ambientes da Orla. É nesse ponto que o Arraiá do Povo se diferencia: transforma o São João em programação extensa, com várias frentes acontecendo ao mesmo tempo, sem deixar que a festa dependa exclusivamente de um único show.

A previsão de tempo nublado e possibilidade de chuva em parte da noite exige atenção do público, mas não reduz a força da programação. Em evento aberto, especialmente na Orla, chuva leve ou pancadas pontuais fazem parte do cenário junino e costumam alterar a dinâmica de chegada, circulação e permanência do público. A orientação prática é chegar com antecedência, proteger celulares e documentos, usar roupas e calçados adequados para ambiente de grande circulação e acompanhar os canais oficiais em caso de qualquer mudança operacional. Mesmo com instabilidade, a noite tem perfil de grande público, principalmente pela presença de Tarcísio do Acordeon, que deve atrair fãs da vaquejada e do piseiro, e de Duas Paixões, que mobiliza um público fiel do forró romântico. A combinação entre juventude, romantismo, sanfona, repertório popular e memória do forró eletrônico cria uma programação de forte apelo popular, capaz de reunir diferentes gerações em uma mesma noite.

O sábado do Arraiá do Povo confirma que o São João sergipano não vive de uma única linguagem. A programação coloca lado a lado o forró de animação dos Zueirões do Forró, a força autoral e instrumental de Guilherme Dantas, o fenômeno nacional de Tarcísio do Acordeon, a carga sentimental de Silvânia Aquino e Berg Rabelo em Duas Paixões, e a presença sergipana de Dudu Moral no Palco 360º. Essa mistura não é aleatória: ela espelha o próprio mercado atual do forró, que hoje se divide entre tradição, vaquejada, piseiro, romantismo, nostalgia, composição e circuito digital. Na Orla da Atalaia, essas frentes se encontram diante de um público que não consome o São João apenas como espetáculo, mas como parte de sua identidade. A noite deste sábado tem todos os elementos para ser uma das mais fortes desta fase inicial do Arraiá do Povo: nomes nacionais, artistas com história, repertório conhecido, presença local e uma estrutura que transforma a Orla em vitrine do maior ciclo junino de Sergipe.

Serviço

Arraiá do Povo 2026 — sábado, 6 de junho

Local: Orla da Atalaia, Aracaju

Atrações: Zueirões do Forró, Guilherme Dantas, Tarcísio do Acordeon e Duas Paixões — Silvânia Aquino e Berg Rabelo

Palco 360º: Dudu Moral

Vila do Forró — sábado, 6 de junho

Coreto, a partir das 18h: Débora Costa, Joilson do Acordeon e Renê do Acordeon

Barracão — Forró da Gente, a partir das 19h: Gladston Rosa, Samba de Coco da Mussuca, Joésia Ramos e João da Passarada

Teatro na Vila: 18h — Boi de Barro Fragmentos, de César Leite Produções; 20h — O São João do Senhor Antenor, da Cia Ponto de Teatro

Joás Sanct

Fotógrafo profissional, cinegrafista e editor audiovisual com 30 anos no mercado de entretenimento. Produtor cultural apaixonado por contar histórias através da imagem. Headbanger raiz, fã de Judas Priest e Slayer. Amante da leitura, da escrita e de novas culturas. Viajante por natureza, sempre em busca de inspiração pelo mundo.

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