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Saia Rodada prepara DVD de 25 anos com reencontro de vozes históricas e consolidação da fase de Raí

Gravação marcada para 16 de agosto, no Recife, reunirá Wesley Safadão, Natanzinho Lima, Joelma, Nathalia Calasans, Doidim de Mossoró e Andriele em um projeto que mistura memória, reposicionamento artístico e continuidade da banda

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Saia Rodada prepara DVD de 25 anos com reencontro de vozes históricas e consolidação da fase de Raí
Foto: Instagram/Reprodução

A Saia Rodada transformará a comemoração de seus 25 anos em uma gravação de grande porte no dia 16 de agosto de 2026, no Centro de Convenções de Pernambuco, no Recife. O projeto foi planejado para recuperar parte do repertório que sustentou a banda desde o início dos anos 2000 e, ao mesmo tempo, registrar a configuração atual da marca, hoje diretamente associada à imagem de Raí Soares. A entrada para o público foi disponibilizada gratuitamente, condicionada à doação de dois quilos de alimentos, e a procura inicial confirmou que existe um público disposto a rever o repertório antigo em uma produção nova: o primeiro lote, com cerca de 20 mil ingressos, foi retirado em aproximadamente cinco horas. A informação pública mais recente concentra a gravação com plateia no dia 16, às 16h, embora anúncios preliminares tenham citado atividades nos dias 15 e 16. A produção também trabalha com uma pré-seleção extensa, estimada em aproximadamente 80 músicas, que será reduzida até a definição final do roteiro. Isso indica que o DVD não será apenas um show comum filmado, mas uma tentativa de organizar, em poucas horas, diferentes etapas de uma discografia marcada por forró eletrônico, canções de vaquejada, faixas românticas, músicas de duplo sentido e sucessos que ganharam circulação nacional. Recife foi escolhido por razões históricas. A cidade recebeu o primeiro DVD da Saia Rodada, gravado em 2005 no Clube Português, voltou a sediar um audiovisual no Chevrolet Hall em 2006 e recebeu, em 2012, o registro comemorativo dos dez anos. Portanto, o retorno não funciona apenas como recurso de nostalgia: recoloca a banda no local em que sua estrutura de palco, suas coreografias e a parceria entre os vocalistas ajudaram a transformar um grupo forte no interior do Nordeste em um produto conhecido em outras regiões do país.

Criada em Caraúbas, no interior do Rio Grande do Norte, a Saia Rodada começou sua trajetória fonográfica em 2001, com Raí Soares, Poliana e Luiz nos vocais do primeiro trabalho. Os discos seguintes ampliaram o repertório e estabeleceram a identidade da banda, combinando sanfona, metais, guitarra, teclado e uma condução de palco mais próxima dos grandes grupos de forró eletrônico que disputavam o mercado nordestino. Raí permaneceu como a voz constante em meio às sucessivas mudanças de formação. Nos primeiros anos, músicas como “Problema Meu”, “Cara a Cara”, “Ana Maria”, “Flor do Avelã”, “Melô da Corrinha”, “Libera o Toim”, “Ponto Final” e “Amar Você é Tão Bom” formaram a base do repertório. A entrada de Nathalia Calasans e Andriele reforçou a dinâmica de múltiplos vocalistas, enquanto o primeiro DVD, em 2005, consolidou uma imagem que misturava música, dança, humor e provocação. “Coelhinho”, interpretada por Raí e Nathalia, tornou-se uma das faixas mais identificadas com aquele período e deu à cantora o apelido de “Coelhinha”, que permaneceu associado a ela mesmo depois de sua saída. Em 2006, com Doidim de Mossoró na formação, a banda voltou ao Recife e registrou outro audiovisual, aprofundando o formato de espetáculo que já havia funcionado no ano anterior. Ao longo da década, a Saia Rodada lançou outros projetos, atravessou mudanças de cantores e incorporou músicas que ultrapassaram o circuito regional, entre elas “Beber, Cair e Levantar”. O grupo também experimentou formatos paralelos, como o Saia Elétrica, concebido para apresentações em trio elétrico, e manteve forte presença em vaquejadas, festas públicas e calendários de São João. Essa primeira fase explica por que o DVD de 25 anos não poderia ser apresentado apenas como um projeto individual de Raí: embora ele seja o único integrante vocal permanente desde o começo e tenha se tornado o centro comercial da marca, parte importante da memória popular da Saia Rodada foi construída por duetos, trios e formações nas quais outras vozes tinham funções claras no espetáculo.

A chamada carreira solo de Raí precisa ser entendida com alguma precisão. Não houve uma separação definitiva entre o cantor e a Saia Rodada semelhante à saída de um vocalista que abandona uma banda para começar do zero. O que ocorreu foi uma progressiva personalização do projeto. Em momentos de pausa e de redução da formação, Raí passou a ocupar sozinho a linha de frente, investiu em repertório próprio e, mais tarde, adotou publicamente o nome artístico Raí Saia Rodada. A mudança preservou o patrimônio da banda e, ao mesmo tempo, permitiu que o mercado tratasse o cantor como artista principal. Esse reposicionamento ganhou força a partir de 2017, com o audiovisual “Saia Paradise”, gravado em Aracaju, e principalmente com a sequência formada por “Filho do Mato”, em 2018, e “Bebe e Vem Me Procurar”, em 2019. As duas músicas devolveram volume nacional ao projeto em um período no qual o forró eletrônico tradicional havia perdido espaço para novas vertentes, como a pisadinha, o piseiro e o forró de vaquejada. A assinatura com a Som Livre e o uso consolidado do nome Raí Saia Rodada abriram uma fase em que o artista passou a misturar a base dançante da antiga banda com elementos de sertanejo, sofrência e arranjos adaptados ao consumo digital. O DVD “Era Eu”, lançado entre 2019 e 2020, marcou essa transição, com repertório amplo e participações como Léo Santana e Solange Almeida. Na sequência, “Tapão na Raba” tornou-se um dos maiores sucessos individuais dessa etapa e mostrou que Raí poderia alcançar as plataformas e programas de televisão sem depender exclusivamente da lembrança dos primeiros DVDs. Vieram ainda trabalhos como “Som no Talo”, o EP “Injusto”, colaborações com artistas de diferentes gerações, o audiovisual “Singular”, gravado em Goiânia, e a retomada do Saia Elétrica em registro ao vivo. Paralelamente, Raí passou a integrar o projeto “À Vontade” com Zezo Potiguar e Luan Estilizado, uma frente que explora repertório romântico, serestas e clássicos populares sem encerrar sua agenda própria. Em 2026, esse projeto ganhou nova extensão com “À Vontade na Vaquejada”, enquanto Raí manteve lançamentos individuais e participações, como a colaboração com Solange Almeida em “Peito Oco”. A carreira solo, portanto, não substituiu a Saia Rodada: ela reorganizou a banda ao redor de seu vocalista mais duradouro e transformou o nome do grupo em parte inseparável da identidade artística de Raí.

Os convidados do DVD foram escolhidos em dois grupos. O primeiro reúne artistas externos que dialogam com públicos diferentes do forró atual: Wesley Safadão, Natanzinho Lima e Joelma. Safadão representa uma ligação direta com a geração que modernizou o forró eletrônico e levou o gênero a um mercado nacional de grandes eventos; sua relação com Raí já inclui encontros em shows e gravações, o que torna a participação coerente com a história recente do cantor. Natanzinho Lima aparece como representante de uma fase mais nova, ligada ao arrocha, à seresta e ao repertório popular que circula com força nas plataformas e nos paredões. Joelma amplia o alcance do projeto para além do forró nordestino e acrescenta uma artista identificada com espetáculo, dança e repertório popular, características próximas da linguagem visual que marcou a Saia Rodada. O segundo grupo é formado por ex-vocalistas: Nathalia Calasans, Doidim de Mossoró e Andriele. É nesse bloco que está o principal valor histórico da gravação. Nathalia, a “Coelhinha”, está confirmada e deverá reencontrar no palco músicas e situações cênicas que ajudaram a fixar a formação mais conhecida da banda. Sua presença deixou de ser apenas uma hipótese depois de convites públicos e de uma reaproximação artística com Raí, que participou em junho de 2026 da gravação do clipe “Vaquejadinha”, projeto da carreira solo da cantora. Doidim de Mossoró recupera especialmente a fase do segundo DVD, de 2006, além de outras passagens pelo grupo. Andriele remete à formação do primeiro DVD e ao período em que a banda consolidava sua projeção. Algumas publicações reproduziram o nome “Adriel”, mas os anúncios ligados aos ex-integrantes e à própria mobilização nas redes identificam a convidada como Andriele. Até 3 de agosto, não havia confirmação pública de outros ex-vocalistas, como Vânia Santos, Aline Reis ou Daysinha Cid. A ausência de confirmação não significa impedimento para surpresas, mas qualquer inclusão além dos seis nomes já anunciados deve ser tratada como possibilidade, não como fato.

O DVD de 25 anos chega em uma fase na qual Raí precisa equilibrar três interesses: preservar os sucessos antigos, sustentar a carreira construída sob o nome Raí Saia Rodada e apresentar um produto capaz de gerar lançamentos posteriores nas plataformas. O repertório de regravações oferece segurança porque parte de músicas reconhecidas, mas também cria o risco de produzir apenas uma coletânea visual sem novidade artística. A participação dos ex-vocalistas reduz esse problema ao devolver contexto às canções: não se trata somente de Raí cantando faixas antigas, mas de recuperar vozes e combinações que fizeram parte de gravações específicas. Ao mesmo tempo, Wesley Safadão, Natanzinho Lima e Joelma ajudam a atualizar a circulação comercial do projeto e podem levar algumas faixas a públicos que não acompanharam a banda nos anos 2000. O resultado dependerá da seleção musical, da divisão equilibrada das participações e da capacidade de evitar que os convidados transformem a comemoração em uma sequência de aparições desconectadas. Também será importante distinguir o que pertence à história coletiva da Saia Rodada do que corresponde à fase individual de Raí. O cantor é o eixo da trajetória, mas o próprio formato do DVD reconhece que a memória da banda não foi construída sozinho. A confirmação de Nathalia Calasans, Doidim de Mossoró e Andriele corrige uma lacuna que seria evidente em um projeto comemorativo desse porte. Sem eles, a produção teria repertório e convidados conhecidos, mas perderia parte de sua ligação com os DVDs que estabeleceram a imagem pública do grupo. Com os reencontros confirmados, a gravação passa a funcionar como revisão de carreira e também como definição de continuidade: a Saia Rodada permanece ativa, porém cada vez mais fundida à figura de Raí. O DVD deverá mostrar se essa combinação consegue organizar 25 anos de mudanças sem apagar as diferentes formações que fizeram a banda chegar até aqui.

Joás Sanct

Fotógrafo profissional, cinegrafista e editor audiovisual com 30 anos no mercado de entretenimento. Produtor cultural apaixonado por contar histórias através da imagem. Headbanger raiz, fã de Judas Priest e Slayer. Amante da leitura, da escrita e de novas culturas. Viajante por natureza, sempre em busca de inspiração pelo mundo.

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