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Arraiá do Povo

Segunda noite do Arraiá do Povo reúne forró das antigas, tradição nordestina e calypso sob chuva na Orla da Atalaia

Entre a noite de sábado e a madrugada deste domingo, público acompanhou Forró Brasil, Adelmário Coelho, Kátia Cilene e Aduílio Mendes, Joelma e Forró 10 em mais uma etapa do ciclo junino sergipano

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Segunda noite do Arraiá do Povo reúne forró das antigas, tradição nordestina e calypso sob chuva na Orla da Atalaia
Foto: Divulgação

A segunda noite do Arraiá do Povo 2026 movimentou a Orla da Atalaia, em Aracaju, entre a noite de sábado e a madrugada deste domingo, com shows de Forró Brasil, Adelmário Coelho, Kátia Cilene e Aduílio Mendes, Joelma e Forró 10 no Palco 360º. Mesmo com a chuva que vem atingindo Sergipe nos últimos dias, o público compareceu ao espaço montado para o ciclo junino e acompanhou uma programação voltada ao forró tradicional, ao forró das antigas, ao forró eletrônico e ao calypso. O evento, que segue ao longo de junho, manteve no palco principal a estrutura multimídia que vem marcando a edição deste ano, com painéis, recursos visuais e artes voltadas à valorização da sergipanidade.

A chuva foi um dos elementos que marcaram a noite. Aracaju e outras regiões de Sergipe vêm registrando dias de instabilidade, com pancadas frequentes, céu carregado e reflexos no deslocamento da população. Em uma festa aberta e realizada em área de grande circulação, esse cenário interfere na chegada do público, na atuação dos trabalhadores, no comércio informal e na operação do evento. Ainda assim, a movimentação na Orla da Atalaia confirmou a força do calendário junino no estado, especialmente em uma programação que reuniu artistas com trajetórias conhecidas do público nordestino.

Com programação prevista para seguir durante o mês de junho, o Arraiá do Povo teve na segunda noite mais uma etapa do ciclo junino sergipano. A festa reuniu moradores, turistas, famílias, fãs dos artistas e trabalhadores que atuam direta ou indiretamente na estrutura do evento. A Orla da Atalaia voltou a concentrar parte da movimentação cultural e econômica da capital, com shows, circulação de público, atividades comerciais e presença de atrações locais e nacionais.

O palco principal foi um dos pontos de destaque da estrutura montada na Orla. A proposta multimídia, apresentada desde a abertura do Arraiá do Povo, no dia 29 de maio, reforça a dimensão visual da festa e amplia a experiência do público durante os shows. Os painéis e elementos gráficos exibidos ao longo da programação trabalham referências ligadas à identidade sergipana, com artes voltadas à sergipanidade e ao caráter junino do evento. Em uma festa que recebe artistas de vários estados, o recurso ajuda a manter Sergipe no centro da comunicação visual, sem reduzir o espaço a uma simples arena de apresentações.

A presença dessa estrutura também aproxima o Arraiá do Povo do formato dos grandes festivais populares do país, nos quais som, luz, imagem, cenografia e conteúdo visual formam uma experiência única para quem acompanha os shows. No caso da festa sergipana, o uso do palco multimídia tem função estética e institucional: valoriza o espetáculo, melhora o registro visual do evento e projeta símbolos locais para o público presente e para quem acompanha os recortes pelas redes sociais. A Orla da Atalaia recebe artistas nacionais, mas a linguagem visual do palco reforça que o evento tem identidade sergipana e integra o calendário cultural do estado.

A abertura da programação teve o Forró Brasil, projeto ligado à trajetória de Dedé Brasil, músico que integrou a banda Forró Maior e passou a seguir também em carreira solo, além de empresariar a banda. A presença do grupo na segunda noite do Arraiá do Povo trouxe para o palco uma sonoridade conectada ao forró das antigas e ao repertório que marcou uma geração de ouvintes no Nordeste. Com origem associada à experiência de Dedé no circuito forrozeiro, o Forró Brasil se apresenta como continuidade de uma caminhada construída em bailes, casas de show, festas populares e eventos juninos.

No Arraiá do Povo, o Forró Brasil abriu a sequência musical dentro de uma linguagem reconhecida pelo público forrozeiro. A banda se conecta a uma memória de São João associada aos encontros populares, às apresentações de forró de banda e ao repertório dançante que segue presente em festas de capital e de interior. A apresentação ajudou a preparar o ambiente para uma noite em que o forró apareceu em diferentes formatos, do tradicional ao eletrônico, passando pelo repertório das antigas.

Adelmário Coelho foi um dos nomes centrais da noite. Natural de Barro Vermelho, distrito de Curaçá, no norte da Bahia, o cantor construiu uma carreira ligada ao forró tradicional e ao circuito junino do Nordeste. Antes de se consolidar como artista reconhecido no segmento, passou por atividades fora da música, incluindo trabalho no Polo Petroquímico de Camaçari e como motorista de táxi. Essa trajetória reforça a ligação do cantor com a realidade de muitos trabalhadores nordestinos que formam parte importante do público das festas juninas.

No palco da Orla da Atalaia, Adelmário representou o forró pé de serra, o xote, o baião e a música nordestina feita para o São João. Sua presença na grade manteve a festa conectada à sanfona, à zabumba, ao triângulo, à dança a dois e ao repertório que acompanha arraiais de capital e de interior. Em uma noite que também teve forró eletrônico e calypso, o cantor baiano sustentou a base tradicional da programação.

A carreira de Adelmário Coelho se consolidou em grandes praças juninas do Nordeste, com apresentações em cidades como Aracaju, Caruaru e Campina Grande. O artista mantém uma imagem associada à defesa do forró como expressão cultural nordestina e segue como presença recorrente em eventos de São João. No Arraiá do Povo, sua apresentação dialogou diretamente com o público forrozeiro que busca no período junino uma festa ligada à tradição, à dança e ao repertório regional.

A programação também teve Kátia Cilene e Aduílio Mendes, dois nomes diretamente ligados à história da Mastruz com Leite e ao desenvolvimento do forró eletrônico no Brasil. A banda cearense, criada no início dos anos 1990, é considerada uma das principais responsáveis por transformar o forró em um produto de grande alcance, com estrutura de banda, arranjos eletrificados, forte presença vocal e repertório que circulou por rádios, CDs, festas e grandes palcos. Kátia Cilene foi uma das vozes femininas mais marcantes dessa fase, enquanto Aduílio Mendes também integrou a trajetória do grupo e se tornou conhecido pelo público do forró das antigas.

A presença da dupla no Arraiá do Povo levou ao palco uma parte importante da memória do forró eletrônico. Kátia Cilene e Aduílio Mendes representam uma geração de artistas que ajudou a consolidar o forró de banda, especialmente a partir da força da Mastruz com Leite e de outros grupos que marcaram os anos 1990 e 2000. Essa fase abriu caminho para a profissionalização do segmento, ampliou o mercado de shows e formou um público que segue acompanhando esse repertório em eventos juninos, festivais das antigas e apresentações pelo Nordeste.

Na segunda noite do Arraiá do Povo, Kátia e Aduílio dialogaram com o público que cresceu ouvindo o forró eletrônico e reconhece essas vozes como parte de uma história musical coletiva. O repertório associado a esse movimento permanece forte entre fãs de bandas como Mastruz com Leite, Magníficos, Limão com Mel, Calcinha Preta e outras formações que marcaram a expansão do gênero. A apresentação trouxe para a Orla da Atalaia uma memória que ainda movimenta o mercado do forró, especialmente em festas de São João e eventos voltados ao público das antigas.

Joelma foi a atração de maior projeção nacional na segunda noite. A cantora paraense chegou ao Arraiá do Povo em um momento de forte presença no circuito junino, com a turnê “Arraiá Joelma 30 Anos”, projeto que celebra mais de três décadas de carreira e leva o calypso para o ambiente das festas de São João. A artista construiu sua trajetória com base em performance, dança, figurinos marcantes, repertório popular e comunicação direta com grandes plateias.

O atual momento de Joelma reforça sua permanência no mercado de entretenimento. A cantora segue com agenda intensa, público fiel e forte presença em eventos populares pelo país. Na turnê junina de 2026, o show ganhou elementos voltados ao período de São João, incluindo bloco especial com músicas em ritmo junino, nova cenografia, figurinos e coreografias preparadas para a temporada. Essa adaptação mantém a identidade da artista e aproxima o espetáculo da atmosfera dos arraiais.

No Arraiá do Povo, o calypso entrou como linguagem de festa, dança e espetáculo. Embora tenha origem no Norte do país, o gênero se espalhou pelo Brasil e encontrou forte recepção também no Nordeste. A presença de Joelma em uma noite marcada pelo forró não deslocou a proposta do evento; ampliou o alcance da programação e levou ao palco uma artista de forte apelo popular. O show dialogou com fãs antigos, novos públicos e pessoas atraídas pela energia cênica que se tornou marca da cantora.

A apresentação de Joelma também se beneficiou da estrutura visual do palco principal. O uso de painéis, iluminação e recursos multimídia favoreceu um show construído sobre movimento, imagem e presença de palco. Em uma festa aberta, com circulação de moradores e turistas, esse tipo de estrutura amplia a repercussão do evento e fortalece o registro visual da programação nas redes sociais. A combinação entre o calypso de Joelma e o aparato multimídia do palco reforçou o caráter de espetáculo da segunda noite.

No Palco 360º, o Forró 10 completou a noite com a presença de uma atração sergipana na programação. Natural de Lagarto, a banda atua no circuito regional e mantém repertório voltado ao forró, com apresentações em cidades do interior e espaços ligados à música nordestina. A participação do grupo reforçou a importância de artistas locais dentro do Arraiá do Povo, especialmente em uma edição que recebe atrações de diferentes estados.

O Palco 360º tem função estratégica na dinâmica do evento. O espaço contribui para distribuir melhor o público, cria novas áreas de permanência e mantém a movimentação musical além do palco principal. Com o Forró 10, a programação preservou a presença do forró sergipano na segunda noite e valorizou a produção artística do estado dentro de uma estrutura de grande circulação.

A segunda noite também movimentou a cadeia econômica ligada ao ciclo junino. Mesmo com chuva, a festa mobilizou transporte, bares, restaurantes, ambulantes, hospedagem, equipes de segurança, limpeza, produção, técnica, comunicação e turismo. Para muitos trabalhadores, o período representa oportunidade de renda em uma das temporadas mais importantes do calendário cultural de Sergipe. A circulação na Orla da Atalaia mostra que o Arraiá do Povo vai além dos shows e tem impacto direto na economia da capital.

A grade da noite reuniu diferentes fases da música popular ligada ao entretenimento nordestino. Forró Brasil trouxe a trajetória de Dedé Brasil e a ligação com o forró das antigas; Adelmário Coelho reforçou o forró tradicional; Kátia Cilene e Aduílio Mendes representaram a história do forró eletrônico; Joelma levou o calypso e a dimensão de espetáculo nacional; e Forró 10 manteve a presença sergipana no Palco 360º. A combinação deu ao segundo dia de festa um perfil voltado ao público forrozeiro, aos fãs do calypso e aos frequentadores que acompanham a programação junina da Orla.

Entre a noite de sábado e a madrugada deste domingo, o Arraiá do Povo 2026 avançou sob chuva, reuniu público e apresentou artistas ligados a diferentes momentos do forró e do calypso. O palco principal multimídia, já utilizado desde a abertura da festa, seguiu como um dos elementos centrais da estrutura, com recursos visuais dedicados à sergipanidade e à identidade junina do evento. Com a programação ainda em andamento, a Orla da Atalaia permanece como ponto central do ciclo junino sergipano, recebendo novas atrações e mantendo a movimentação cultural, turística e econômica prevista para o mês de junho.

Joás Sanct

Fotógrafo profissional, cinegrafista e editor audiovisual com 30 anos no mercado de entretenimento. Produtor cultural apaixonado por contar histórias através da imagem. Headbanger raiz, fã de Judas Priest e Slayer. Amante da leitura, da escrita e de novas culturas. Viajante por natureza, sempre em busca de inspiração pelo mundo.

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