A Rua São João, no Bairro Industrial, em Aracaju, volta a ser ocupada pelo som do forró, pela força das quadrilhas juninas e pela presença viva da cultura popular sergipana na próxima segunda-feira, 18, a partir das 18h, com a abertura da programação da Segundona do Turista 2026, realizada pelo Governo de Sergipe. O tradicional quadrilhódromo da comunidade receberá apresentações do Forró Os Três Muleques, da Quadrilha Junina Século XX e da cantora Amorosa, reunindo no mesmo espaço artistas e grupos que representam diferentes gerações da cultura nordestina e mantêm trajetórias diretamente ligadas à história dos festejos juninos no estado. A abertura da temporada não se limita a uma agenda de shows: ela marca a retomada de uma programação que reconhece a Rua São João como território simbólico, afetivo e histórico da cultura sergipana, especialmente pela ligação com o forró, as festas de rua, as manifestações comunitárias e a tradição junina que atravessa décadas. Criada em 2023, a Segundona do Turista passou a integrar de forma permanente o calendário junino de Sergipe ao dar visibilidade a um espaço que já era referência cultural muito antes de qualquer iniciativa oficial. Desde então, o projeto mantém uma programação regular ao longo do ano, aproximando artistas, brincantes, moradores, visitantes, comerciantes e trabalhadores da economia criativa em torno de uma proposta clara: manter viva a tradição da Rua São João, fortalecer a identidade sergipana e ampliar os espaços de circulação da cultura popular.
Nesta edição, a programação da Segundona do Turista seguirá em formato quinzenal nos meses de maio, agosto e setembro, sempre às segundas-feiras, enquanto nos meses de junho e julho, período de maior intensidade dos festejos juninos, as apresentações serão realizadas semanalmente. O modelo amplia o alcance da programação, evita que a celebração da cultura junina fique concentrada apenas em poucos dias do ano e transforma a segunda-feira, tradicionalmente menos movimentada no calendário de eventos, em um dia de ocupação cultural, convivência comunitária e circulação econômica. A proposta também reforça uma visão mais madura de desenvolvimento cultural, baseada na continuidade, na valorização dos territórios e no reconhecimento de artistas locais, sem reduzir a cultura popular a espetáculo passageiro ou ação de ocasião. A Rua São João entra nesse processo não como simples cenário, mas como protagonista de uma história construída por moradores, músicos, quadrilheiros, comerciantes, lideranças comunitárias e frequentadores que ajudaram a consolidar o local como um dos principais redutos do forró em Sergipe. Durante as noites de evento, o movimento no entorno do quadrilhódromo aquece o comércio local, aumenta a presença de público na região e cria oportunidades para ambulantes, pequenos empreendedores, trabalhadores informais, profissionais da alimentação, artesãos, prestadores de serviço e moradores que acompanham diretamente os impactos da circulação de pessoas. Nesse sentido, a Segundona também cumpre papel econômico e social: transforma a cultura em vetor de renda, fortalece a economia criativa e mostra que investir em tradição popular é também investir em trabalho, pertencimento, turismo e desenvolvimento territorial.
A programação de abertura reúne atrações com forte peso simbólico e artístico. Com mais de quatro décadas de carreira, a cantora e compositora Amorosa é um dos nomes mais reconhecidos da música sergipana e ficou nacionalmente conhecida pelo sucesso “Coco da Capsulana”, obra que ajudou a projetar a sonoridade local para além das fronteiras do estado. Ao longo de sua trajetória, Amorosa realizou apresentações em diversos estados brasileiros e também no exterior, levando o forró sergipano a palcos da Europa e consolidando uma carreira marcada pela defesa da música nordestina, da cultura popular e da identidade artística de Sergipe. Sua presença na abertura da Segundona do Turista dá densidade à programação e reforça a importância de valorizar artistas que não apenas se apresentam, mas carregam parte da memória musical do estado. O Forró Os Três Muleques, formado em 2006, também integra a primeira noite com uma proposta voltada ao forró pé de serra, preservando a sonoridade dos trios nordestinos clássicos, com sanfona, zabumba, triângulo, repertório de raiz e contato direto com o público. O grupo representa a continuidade de uma linguagem musical que permanece atual porque se renova sem abandonar sua base tradicional. Já a Quadrilha Junina Século XX chega à programação com uma trajetória de seis décadas. Fundada em 1964, no próprio Bairro Industrial, é considerada a quadrilha junina mais antiga em atividade contínua em Sergipe e mantém relação profunda com a Rua São João, com os festejos da capital e com a formação cultural de gerações de brincantes. Sua participação reforça o papel das quadrilhas como expressão artística completa, que reúne dança, música, teatro, figurino, narrativa popular, disciplina coletiva e transmissão de conhecimento entre jovens, adultos e idosos.
Para o presidente da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe, Gustavo Paixão, a Segundona do Turista amplia os espaços dedicados à cultura popular e fortalece o vínculo da população com a identidade sergipana. Segundo ele, o evento mantém viva a tradição da Rua São João, cria oportunidades para que artistas locais mostrem a força do forró e permite que a população se reconheça na própria história cultural. “O evento mantém viva a tradição da Rua São João, cria oportunidades para que os artistas sergipanos mostrem a força do forró e permite que a população se reconheça na própria história cultural. Apesar do nome, não é uma ação apenas para quem vem de fora. É um espaço para que os sergipanos ocupem a rua, acompanhem nossos artistas e se sintam representados pela cultura produzida aqui”, afirmou. A declaração aponta para uma dimensão essencial da iniciativa: embora tenha o turismo no nome, a Segundona não deve ser compreendida apenas como atração para visitantes, mas como espaço de pertencimento para os próprios sergipanos. O turismo, nesse caso, surge como consequência de uma cultura viva, respeitada e fortalecida em seu próprio território. Valorizar a Rua São João significa reconhecer que a cultura popular não nasce nos gabinetes nem depende exclusivamente de grandes estruturas; ela se forma na rua, na convivência, na memória coletiva, no trabalho dos artistas, na resistência das comunidades e na capacidade de transformar festa em identidade. É justamente essa base que dá legitimidade ao projeto e impede que a tradição seja tratada como produto vazio ou ação desconectada da população.
A Segundona do Turista é realizada pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe, em parceria com o Centro Social e Cultural São João de Deus, com apoio da Secretaria de Estado do Turismo, da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo e da Secretaria Especial da Comunicação Social. A articulação entre cultura, turismo, trabalho e comunicação mostra que o evento possui múltiplas dimensões: artística, por abrir palco para músicos, quadrilhas e manifestações populares; territorial, por reconhecer a Rua São João como espaço histórico; econômica, por movimentar comércio, serviços e economia criativa; e social, por promover convivência, pertencimento e participação popular. Com Amorosa, Forró Os Três Muleques e Quadrilha Junina Século XX, a abertura da temporada de 2026 aposta em nomes que carregam história, legitimidade e vínculo real com Sergipe. A programação reafirma que o desenvolvimento cultural se constrói com continuidade, presença nos territórios, respeito à memória e valorização de quem mantém a tradição em atividade. Na próxima segunda-feira, a partir das 18h, a Rua São João volta a receber o público com aquilo que a tornou referência: forró, quadrilha, encontro popular e cultura viva. Mais do que uma festa, a Segundona representa a permanência de uma tradição que segue atual porque pertence à comunidade, movimenta a cidade, fortalece artistas locais e reafirma a identidade sergipana sem depender de politicagens, exageros ou discursos vazios.


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