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Natanzinho Lima relembra origem em Itabaiana, início na música e bastidores da carreira em entrevista ao Podpah

Cantor falou sobre a infância ligada à cultura dos caminhoneiros, a virada após vídeo na escola, a força do arrocha e a preparação para novo DVD em São Paulo

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Natanzinho Lima relembra origem em Itabaiana, início na música e bastidores da carreira em entrevista ao Podpah
Foto: Divulgação

O cantor Natanzinho Lima participou de uma entrevista no podcast Podpah e revisitou momentos centrais de sua trajetória, desde a infância em Itabaiana, em Sergipe, até a consolidação como um dos nomes em ascensão no arrocha e no brega. Em uma conversa marcada por relatos pessoais, bastidores da vida artística e lembranças do início da carreira, o artista contou que, antes de pensar em música como profissão, sonhava em ser caminhoneiro. A vontade vinha da convivência familiar e do ambiente em que cresceu, já que Itabaiana tem forte ligação com o transporte rodoviário, com famílias inteiras envolvidas na atividade e uma cultura local marcada por caminhões, carretas, comércio e tradições populares. Natanzinho afirmou que brincou com caminhões de madeira até a adolescência e que, quando criança, chegou a pedir ao avô que o ensinasse a dirigir. A família, no entanto, não incentivava o caminho por considerar a rotina dos caminhoneiros pesada, perigosa e distante da vida em casa. Ao falar sobre esse universo, o cantor destacou a importância desses profissionais para o funcionamento do país e lembrou que boa parte do que chega às cidades passa, em algum momento, pelo trabalho das estradas.

A entrada na música aconteceu de forma inesperada. Natanzinho contou que não tinha celular próprio quando um vídeo seu cantando na escola começou a circular. A gravação foi feita por uma colega durante uma aula, depois de ele ser incentivado a continuar cantando mesmo diante da presença da professora. O vídeo repercutiu inicialmente entre conhecidos e, em pouco tempo, passou a chamar a atenção de pessoas da região. Na época, ele ainda era adolescente e já havia trabalhado em diferentes atividades, como venda de geladinho, pastel, cerveja e castanhas ao lado do pai, além de ter tentado atuar como ajudante de eletricista. O cantor relatou que não se considerava bom nesses trabalhos e que a música acabou se tornando o caminho em que conseguiu se reconhecer. Depois da repercussão do vídeo, surgiram os primeiros contatos com empresários e apoiadores locais, que ajudaram na gravação do primeiro CD e nas apresentações iniciais.

Primeiros cachês foram baixos e carreira começou com estrutura limitada

Natanzinho relembrou que o primeiro cachê recebido em uma apresentação foi de R$ 150, em uma festa organizada por uma das pessoas que também havia ajudado na produção do CD. A partir dali, passou a cantar em pequenas festas, com estrutura reduzida e deslocamentos feitos em condições simples. Segundo ele, no início, cobrava valores como R$ 500 ou R$ 600 por show, mas, depois de dividir despesas com músicos, produção, transporte, combustível e alimentação, sobravam quantias pequenas para cada integrante da equipe. Em algumas ocasiões, cada pessoa recebia R$ 50 ou R$ 100. O cantor contou que chegou a viajar em um carro pequeno com seis pessoas, instrumentos e equipamentos, em uma fase em que a oportunidade de ser visto era mais importante do que o retorno financeiro imediato.

A dificuldade também apareceu em situações de constrangimento profissional. Natanzinho lembrou de um show em que o tecladista contratado não conseguiu executar corretamente o repertório, o que comprometeu a apresentação. Apesar da vergonha, o episódio acabou chamando a atenção de pessoas que perceberam seu carisma, mesmo diante de um show considerado ruim por ele próprio. O artista também contou que, em determinado momento, tentou aumentar o cachê em R$ 100 e ouviu comentários de que estaria “empolgado”, o que o fez cogitar abandonar a música e voltar a estudar. A carreira, no entanto, seguiu adiante com novos empresários, gravações e tentativas de encontrar um repertório mais próximo de sua identidade.

Virada artística veio com o brega, o arrocha e o projeto “De Bar em Bar”

Em outro momento da entrevista, Natanzinho explicou que passou por uma fase de insatisfação com os rumos da carreira e chegou a ficar cerca de um ano sem cantar. Nesse período, recebeu uma ajuda mensal dos empresários enquanto discutia novas possibilidades para retomar o trabalho. A virada começou quando decidiu gravar um CD de brega, defendendo que precisava cantar aquilo que realmente fazia sentido para ele. Segundo o cantor, havia uma tentativa anterior de moldar sua imagem de forma mais formal, tanto na música quanto no modo de se apresentar, mas ele queria mostrar ao público sua personalidade de forma mais espontânea. Foi nessa fase que passou a reivindicar mais liberdade sobre o próprio Instagram e sobre a forma como aparecia nas redes sociais.

O projeto “De Bar em Bar” nasceu nesse contexto. A ideia era gravar de forma simples, em bares, com clima espontâneo e poucos recursos. Natanzinho contou que algumas gravações foram feitas com celular, caixa de som e microfone, sem a estrutura de uma grande produção audiovisual. Em uma das ocasiões, ele e a equipe chegaram a um bar, pediram autorização para gravar consumindo no local e registraram o conteúdo em um take direto. Ao assistir ao resultado no estúdio, o cantor afirmou ter sentido que aquele formato poderia funcionar. O projeto ganhou força, viralizou músicas e ajudou a consolidar uma estética associada ao cotidiano dos bares, ao público do arrocha e à informalidade que passou a marcar a imagem do artista.

Com o crescimento, a proposta de chegar sem aviso a pequenos bares se tornou inviável. Natanzinho explicou que, nas primeiras edições, a equipe não marcava local nem criava grande expectativa pública, mas a fama mudou a dinâmica. A presença do cantor passou a atrair multidões, exigindo mais organização, segurança, ambulância e estrutura. Em uma das edições realizadas em Itabaiana, ele estimou a presença de dezenas de milhares de pessoas, com a cidade mobilizada em torno da gravação. O projeto também ajudou a fortalecer sua ligação com a cidade natal e com pessoas que participaram do início da trajetória, inclusive retornando a locais e personagens importantes da primeira fase da carreira.

Chapéu virou símbolo de identidade após escolha espontânea

O chapéu, hoje associado à imagem de Natanzinho Lima, surgiu sem planejamento. O cantor contou que pretendia usar um chapéu de palha em uma gravação, mas acabou recorrendo a um modelo que era da irmã. Inicialmente, pessoas próximas sugeriram que ele não usasse o acessório, por considerarem que não combinava com o visual desejado para o artista. A reação do público, porém, foi diferente. Quando percebeu que fãs passaram a usar chapéu nos shows, Natanzinho decidiu incorporar a peça de vez. O acessório se tornou uma marca visual e passou a acompanhar o cantor nas apresentações, nas gravações e nas aparições públicas.

O artista também relacionou sua estética ao ambiente de Itabaiana e ao gosto por ouro, comum em parte da cultura local e do universo do brega. Ele contou que, com o primeiro dinheiro mais significativo vindo de shows, comprou uma peça de ouro, lembrando que antes usava acessórios baratos que perdiam a cor com facilidade. A conquista teve valor simbólico porque representava a transição de uma fase de dificuldade para uma etapa em que já conseguia realizar desejos pessoais. Natanzinho afirmou que muitos elementos de sua imagem surgiram de forma natural, sem uma estratégia montada. O modo de se vestir, o jeito de dançar, o chapéu e as joias foram se misturando à personalidade pública do cantor à medida que sua carreira avançava.

Regravações ajudaram na entrada no mercado musical

Natanzinho também abordou o papel das regravações em sua carreira. Segundo ele, artistas em início de trajetória muitas vezes têm dificuldade para receber músicas autorais fortes, já que composições mais disputadas costumam ser direcionadas a nomes maiores do mercado. Nesse cenário, regravar músicas conhecidas se tornou uma alternativa para se aproximar do público e criar repertório. O cantor explicou que, no universo do arrocha e do brega, a prática de adaptar canções antigas ou sucessos de outros gêneros sempre teve força, especialmente pela circulação em bares, paredões, festas populares e redes sociais.

Ele ressaltou, no entanto, que o processo de lançamento mudou com o tempo. Se antes as músicas eram gravadas e só depois discutidas com compositores em caso de repercussão, hoje a necessidade de liberação tornou o processo mais cuidadoso. Natanzinho afirmou que, quando uma música é lançada oficialmente em plataformas e canais, a equipe procura pagar e regularizar os direitos. No caso de músicas cantadas apenas em shows, a situação pode variar conforme o interesse dos autores e a permanência no repertório. Ainda assim, o cantor defendeu a importância das regravações para apresentar canções antigas a novos públicos e dar nova roupagem a obras que continuam populares.

Relação com grandes artistas marcou expansão nacional

A entrevista também passou por encontros e parcerias que influenciaram a expansão da carreira de Natanzinho. O cantor citou nomes como Raí Saia Rodada, Wesley Safadão, Gustavo Lima, João Gomes, Pablo, Leonardo, Belo e Xand Avião ao falar sobre artistas que conheceu ao longo do caminho. Um dos episódios lembrados envolveu a gravação com Raí, quando a equipe viajou em um ônibus recém-comprado, mas enfrentou problemas mecânicos durante o trajeto. O veículo quebrou na estrada, a equipe passou a noite fora e precisou improvisar até receber apoio para chegar ao destino. Apesar da dificuldade, a gravação aconteceu e se tornou um marco importante na sequência de lançamentos.

Outro momento decisivo foi uma live com grandes nomes da música. Natanzinho contou que, após cantar ao lado de artistas consolidados, a procura por shows aumentou rapidamente, levando a equipe a travar a agenda para reorganizar preços e compromissos. Segundo ele, a partir dali, já não fazia sentido vender muitas apresentações pelo valor antigo, porque a demanda havia mudado e a estrutura também precisava acompanhar o crescimento. O artista explicou que o cachê subiu de forma gradual ao longo da carreira, passando por fases em que já cobrava R$ 5 mil, depois R$ 10 mil ou R$ 15 mil, até alcançar patamares mais altos após projetos de maior repercussão.

A relação com Wesley Safadão também ganhou destaque. Natanzinho contou que conheceu o cantor por meio de empresários e que a convivência acabou se transformando em amizade. Ele relatou situações em fazendas, festas, gravações e encontros familiares, sempre destacando a forma como foi acolhido. Na visão do artista, a naturalidade de seu comportamento ajudou a criar aproximação, porque ele não tentou se apresentar de maneira diferente diante de artistas mais famosos. O cantor afirmou que sempre respeitou o espaço e a história dos outros, mas sem alterar sua própria personalidade.

Rotina de shows exige energia, deslocamentos e disciplina no palco

Natanzinho descreveu a rotina de shows como intensa. Segundo ele, em determinados períodos, chegou a fazer entre 25 e 30 apresentações por mês. Até outubro, afirmou já ter mais de 150 shows confirmados. O cantor explicou que pediu à equipe para tentar preservar segundas e terças-feiras como dias de folga, mas reconheceu que nem sempre isso acontece. As viagens, os deslocamentos entre estados, os horários apertados e a sequência de apresentações tornam a rotina desgastante. Ainda assim, ele disse que procura entregar no palco a mesma energia em qualquer lugar, independentemente do tamanho do público ou dos problemas enfrentados antes de subir para cantar.

Para Natanzinho, o público não deve ser prejudicado por dificuldades pessoais do artista. Ele lembrou que muitas pessoas compram ingresso com antecedência, se organizam financeiramente, adquirem acessórios, roupas e bebidas para viver a experiência do show. Por isso, afirmou que considera obrigação do cantor entregar uma apresentação com intensidade. Mesmo quando está cansado ou rouco, disse que tenta cumprir o compromisso da melhor forma possível. O único ponto que costuma afetá-lo diretamente no palco, segundo ele, é quando o som ou o retorno não funcionam bem, porque isso interfere na performance e na percepção da apresentação.

O cantor também falou sobre seus cuidados com a voz e com a rotina de palco. Ele mencionou o hábito de consumir maçã e outras frutas, além de evitar determinadas combinações de bebidas por causa de questões de saúde. Ao longo da conversa, relatou que costuma beber durante shows e encontros profissionais, mas que procura não beber em casa nos períodos de folga. Natanzinho reconheceu que já teve fases de exagero, especialmente quando os dias livres acabavam sendo consumidos por ressacas e noites prolongadas. Hoje, afirmou tentar equilibrar a vida artística com a convivência familiar.

Família, fé e vida doméstica aparecem como contraponto à agenda artística

A esposa e o filho foram apresentados como pontos de equilíbrio na vida de Natanzinho. O cantor contou que participou de um curso voltado para casais por iniciativa da esposa e que a experiência contribuiu para refletir sobre o casamento. Apesar de relatar as dificuldades de conciliar a rotina de shows com os encontros do curso, ele afirmou que a experiência foi positiva e que ajudou no relacionamento. Natanzinho também falou sobre fé e disse que gosta de abordar a palavra de Deus, defendendo uma relação religiosa sem julgamentos e com foco na melhoria pessoal.

Nos períodos de folga, o cantor afirmou que costuma ficar em casa, jogar no computador, sair para comer com a esposa e passar tempo com o filho. Ele se descreveu como uma pessoa caseira, apesar da rotina de viagens e festas. Também comentou que começou a tentar frequentar academia, mas ainda encontra dificuldade para encaixar os treinos nos horários da vida artística. Para Natanzinho, a rotina ideal no futuro seria cantar menos dias por semana, concentrando a agenda em fins de semana e tendo mais tempo para a família, sem abandonar a música. Ele afirmou que pretende cantar enquanto tiver condições, mas deseja chegar a um patamar de estabilidade que permita escolher melhor os compromissos.

Novo DVD em São Paulo marca nova fase da carreira

Durante a entrevista no Podpah, Natanzinho também falou sobre a gravação de um novo DVD em São Paulo, marcada para o dia 23 de maio. O projeto foi apresentado como uma etapa importante da carreira e deve reunir cerca de três horas de show, músicas autorais, regravações e participações especiais. Entre os nomes citados pelo cantor estão Wesley Safadão, Belo, Xand Avião, Leonardo e Panda. Natanzinho afirmou que o DVD terá nove músicas autorais com participações e que a proposta é atender a pedidos do público, que vinha cobrando mais canções próprias em sua discografia.

A gravação também representa um avanço de estrutura. Depois de começar com registros simples em bares, celulares e pequenos equipamentos, o cantor chega a um projeto de grande porte, com ingressos quase esgotados e presença de artistas reconhecidos nacionalmente. Ao falar sobre o evento, Natanzinho demonstrou expectativa com o repertório e com a presença do público, além de reforçar que pretende manter no palco a mesma energia que marcou sua ascensão. O DVD surge em um momento em que o artista combina popularidade nas redes, agenda movimentada, identidade visual consolidada e reconhecimento dentro do segmento em que atua.

A trajetória contada no podcast mostra um artista que saiu de apresentações pequenas, cachês baixos e gravações improvisadas para uma fase de maior projeção no cenário nacional. O caminho passou pela força da cidade natal, pelo apoio de amigos e empresários, pela viralização de vídeos, pela aposta no arrocha e no brega, pelas regravações, pela criação de uma estética própria e pela aproximação com grandes nomes da música brasileira. Natanzinho Lima se apresenta como um cantor que construiu a carreira a partir da espontaneidade, da ligação com as raízes e da disposição para transformar experiências pessoais em elementos de identidade artística.

Joás Sanct

Fotógrafo profissional, cinegrafista e editor audiovisual com 30 anos no mercado de entretenimento. Produtor cultural apaixonado por contar histórias através da imagem. Headbanger raiz, fã de Judas Priest e Slayer. Amante da leitura, da escrita e de novas culturas. Viajante por natureza, sempre em busca de inspiração pelo mundo.

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