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Forró em ebulição: encontro de mulheres, indiretas calculadas, desafinação viral e desabafo na madrugada

Márcia Fellipe reúne diferentes gerações em Sousa, Marlus Viana volta ao centro das comparações com Silvânia e Berg, apresentação da Brucelose em Caruaru provoca resposta atravessada, Samara Souto investe em preparação vocal e Dorgival Dantas questiona o horário recebido na ExpoCrato

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Forró em ebulição: encontro de mulheres, indiretas calculadas, desafinação viral e desabafo na madrugada
Foto: Foto/Reprodução

Forró & Mulher ganha segundo volume com oito vozes femininas

Márcia Fellipe grava novo audiovisual no Haras Cartaxo, em Sousa, e inclui Sâmya Maia em uma escalação que atravessa gerações do forró


O anúncio do segundo volume de “Forró & Mulher” colocou novamente Márcia Fellipe no centro de uma conversa que vai muito além da gravação de um DVD. O novo audiovisual está marcado para 23 de julho, no Haras Cartaxo, em Sousa, no Sertão da Paraíba, dentro da programação de uma vaquejada, e reunirá Márcia com Mirella Vieira, Mika Rodrigues, O’Hara Ravick, Amanda Rainha, Adma Andrade, Kátia Cilene e Sâmya Maia. A composição do elenco chama atenção porque aproxima artistas de trajetórias, idades, momentos profissionais e públicos bastante diferentes. Sâmya carrega uma das passagens mais duradouras e marcantes pela Banda Magníficos e chega ao projeto como representante de uma geração que ajudou a transformar o forró eletrônico em fenômeno nacional; Mirella mantém viva a memória afetiva do Desejo de Menina e aparece entre as participantes que mais têm demonstrado entusiasmo com a gravação; Mika e O’Hara levam o peso da exposição diária que acompanha quem integra ou integrou recentemente a Calcinha Preta; Kátia Cilene representa uma fase fundamental do Mastruz com Leite e da expansão das bandas cearenses; enquanto Amanda, Adma e as demais convidadas ampliam o espaço reservado a carreiras que nem sempre recebem o mesmo alcance nas grandes produções. A presença de Sâmya possui um significado particular porque, apesar da experiência acumulada e do repertório conhecido, fãs da cantora frequentemente reclamam de sua ausência em encontros dedicados às mulheres do gênero. Desta vez, ela não surge como lembrança citada de passagem nem como presença improvisada em uma homenagem: aparece anunciada oficialmente, com nome e imagem inseridos no projeto, dividindo o palco com intérpretes que representam novas fases do mercado. Márcia Fellipe também demonstra compreender que um audiovisual feminino não pode ser tratado como simples reunião decorativa de cantoras. A escolha de gravá-lo em uma vaquejada reforça uma mensagem importante em um ambiente historicamente associado à figura masculina do vaqueiro, dos competidores e dos grandes contratantes: as mulheres não estarão apenas na plateia ou servindo de participação para o artista principal; estarão no comando do palco, do repertório e da narrativa. O desafio será fazer com que essa diversidade apareça também nas músicas, nas divisões vocais e no tempo oferecido a cada convidada, evitando que nomes de peso sejam reduzidos a poucos versos apenas para aumentar a lista do cartaz. O primeiro “Forró & Mulher” mostrou que existe público para revisitar clássicos por meio de vozes femininas. O segundo volume chega com a missão de ir além do simbolismo, entregar encontros que tenham sentido musical e provar que a valorização das mulheres no forró não pode existir somente durante a gravação, mas precisa continuar na divulgação, nos lançamentos, nas turnês e nas oportunidades oferecidas depois que as câmeras forem desligadas.

Berg brinca com a mudança de visual enquanto Marlus reacende antigas comparações

Vídeo de bastidores expõe resistência bem-humorada de Berg a roupas mais modernas, e fala de Marlus em Santa Cruz do Capibaribe volta a movimentar as torcidas de Calcinha Preta


Se Márcia Fellipe tenta reunir o forró em torno de um projeto coletivo, parte dos veteranos continua demonstrando que uma frase ambígua rende mais repercussão do que muita música recém-lançada. Berg Rabelo apareceu em um vídeo publicado nos stories, em clima de bastidores, comentando as tentativas de modernização de sua imagem na nova fase profissional ao lado de Silvânia Aquino. Entre risadas, interrupções da equipe e provocações, o cantor reclamou de calças mais ajustadas, do uso de gloss e de mudanças no figurino que aparentemente não correspondem ao estilo com o qual está acostumado. A conversa ganhou contornos mais delicados quando integrantes da equipe fizeram brincadeiras sobre “levantar bandeira” e Berg respondeu com uma frase generalizante sobre o mundo estar mais gay. O trecho não deve ser transformado em declaração séria sobre sexualidade, posicionamento político ou rejeição a qualquer grupo, porque todo o diálogo ocorreu em tom de resenha e com os próprios participantes rindo da situação. Ainda assim, a linguagem utilizada e a expressão do cantor provocaram a impressão de que ele estaria, no mínimo, desconfortável com algumas propostas feitas para atualizar sua aparência. Berg é conhecido por brincar mantendo uma expressão quase impenetrável, o que torna difícil estabelecer onde termina a ironia e começa o incômodo verdadeiro. O episódio mostra, porém, uma questão comum entre artistas veteranos: o mercado exige renovação visual, conteúdo constante e figurinos pensados para vídeos e fotografias, enquanto o público mais antigo deseja reconhecer exatamente o personagem que acompanhou durante décadas. No outro lado dessa disputa por atenção está Marlus Viana, cuja volta à Calcinha Preta continua sendo cercada por comparações com Silvânia e Berg. Durante uma apresentação realizada na temporada junina em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste pernambucano, Marlus reforçou expressões relacionadas ao que seria “original”, e o público imediatamente interpretou a fala como nova alfinetada dirigida à dupla formada pelos antigos colegas. Ele não citou os nomes de Silvânia ou Berg naquele momento, mas, no forró, certas histórias possuem memória suficiente para que o público complete sozinho qualquer frase deixada pela metade. O crescimento de seguidores comemorado pelo cantor durante esse período fortaleceu a leitura de que as provocações estariam servindo como estratégia de engajamento. Não existe prova pública de um acordo para fabricar rivalidade, e Marlus posteriormente procurou esclarecer interpretações, negando intenção de atacar Silvânia e reafirmando carinho pela antiga companheira de banda. Mesmo assim, a sucessão de frases ambíguas, comparações e respostas cria um ambiente perfeito para páginas, fã-clubes e perfis especializados prolongarem a novela. O mecanismo é conhecido: o artista fala sem citar; os seguidores identificam um alvo; as torcidas invadem os comentários; os vídeos ganham alcance; e, quando a discussão ultrapassa o limite, todos afirmam que foi apenas brincadeira. Quem lucra é o algoritmo. Quem se desgasta são fãs que transformam a provocação em guerra pessoal, atacando artistas e familiares por relações que podem ser muito menos hostis nos bastidores do que parecem nas redes sociais. A fofoca pode ser utilizada para divulgar um projeto, mas deixa de ser engraçada quando artistas alimentam a chama e entregam ao público a responsabilidade pelo incêndio.

Show da Brucelose em Caruaru vira meme, e resposta de Alex Vieira amplia o constrangimento

Crítica de Ovelha à apresentação no Alto do Moura provoca defesa pública, demonstração vocal improvisada e novo comentário aconselhando o cantor a permanecer em silêncio


A apresentação do Forró da Brucelose no Polo Alto do Moura, durante o São João de Caruaru, transformou-se no episódio mais constrangedor desta rodada de bastidores. A banda subiu ao palco em 21 de junho, dentro da programação oficial do polo dedicado à tradição nordestina, mas trechos do show começaram a circular acompanhados de críticas à afinação e à qualidade vocal da formação. O cantor Ovelha, conhecido nacionalmente por sua trajetória desde as décadas passadas e por aparições em programas de televisão, entrou na discussão ao comentar uma das publicações. Em tom duro, afirmou que os integrantes deveriam estudar e classificou o desempenho como vergonhoso. A avaliação atingiu diretamente Alex Vieira, vocalista da Brucelose, que decidiu responder por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. Alex disse falar em nome de uma banda com mais de três décadas de história, lembrou os artistas que passaram pelo projeto e afirmou que os cantores vinham de uma sequência exaustiva de apresentações. Segundo ele, a equipe havia enfrentado viroses, cansaço, longas viagens de ônibus e uma jornada de três shows praticamente emendados, sem descanso adequado antes da apresentação em Caruaru. O argumento é plausível. A temporada de São João impõe uma rotina brutal a músicos e técnicos, que atravessam estados de madrugada, dormem em veículos, enfrentam mudanças de temperatura, alimentação irregular e horários pouco compatíveis com a preservação da voz. Esse contexto ajuda a explicar por que até artistas experientes podem entregar uma noite abaixo do padrão. Explicar, contudo, não significa negar aquilo que o público ouviu. Alex perdeu força em sua defesa ao afirmar que a banda não havia apresentado uma desafinação generalizada e ao insinuar que Ovelha talvez estivesse com o ouvido “cheio de lã”. Também demonstrou incômodo com o fato de não ter sido reconhecido pelo veterano, perguntando se Ovelha não saberia quem ele era. A frase produziu efeito contrário ao pretendido: em vez de reforçar seu currículo, fez parte do público questionar por que o reconhecimento pessoal seria necessário para avaliar uma apresentação pública. O momento mais arriscado veio quando Alex decidiu cantar diante da câmera para demonstrar sua capacidade vocal e dedicou a música ao próprio Ovelha. A resposta, que deveria servir de ponto final, acabou gerando uma segunda onda de comentários e novos recortes. Entre as reações, Léo, ligado à família artística de Lennon, aconselhou o cantor a parar, reconhecer o problema e investir em melhora, afirmando que a justificativa estava prolongando uma situação evidente para quem assistia. O episódio revela como as redes sociais punem respostas improvisadas. Ovelha poderia ter feito uma crítica técnica sem humilhar publicamente uma equipe que trabalha sob desgaste extremo; Alex poderia ter contextualizado a situação, reconhecido que o show não correspondeu às expectativas e encerrado a conversa. Nenhum dos dois escolheu a saída mais simples. A Brucelose, que possui uma história iniciada nos anos 1990 e sucessos conhecidos em diferentes estados do Nordeste, passou a ser discutida não por seu repertório, mas por uma apresentação ruim e por uma defesa que ampliou a repercussão negativa. Uma noite abaixo do esperado não apaga três décadas de trajetória, mas três décadas de trajetória também não tornam uma banda imune à crítica. O melhor caminho agora não é produzir uma terceira resposta, e sim permitir que os próximos shows falem com mais afinação do que qualquer vídeo publicado em meio à irritação.

Samara Souto transforma críticas em preparação para a próxima fase

Participação no show de Zé Vaqueiro, no Parque do Povo de Campina Grande, provoca comentários sobre afinação, mas cantora reage investindo em direcionamento vocal


Samara Souto voltou ao centro das conversas durante o São João de Campina Grande, quando foi chamada por Zé Vaqueiro para participar de seu show no palco principal do Parque do Povo. A aparição aconteceu na reta final da apresentação e carregava um peso emocional evidente: Samara estava diante de uma das maiores plateias do calendário junino em uma de suas primeiras participações de grande repercussão depois da saída da Banda Magníficos. Ela foi recebida com carinho, emocionou-se no palco e chorou ao perceber a resposta do público, mas alguns trechos compartilhados nas redes sociais também provocaram críticas de internautas que apontaram nervosismo, insegurança e instabilidade na afinação. É preciso considerar o tamanho do momento. Cantar como convidada, sem possuir controle completo sobre passagem de som, tonalidade, retorno de palco e condução da apresentação, é diferente de entrar com o próprio show ensaiado. Também seria desonesto fingir que qualquer observação técnica representa perseguição. Artistas profissionais são avaliados pelo que entregam, especialmente quando ocupam um palco do tamanho do Parque do Povo. A atitude de Samara depois da repercussão foi mais inteligente do que qualquer vídeo de enfrentamento. A cantora compartilhou registros relacionados a estudos e sessões de direcionamento vocal com Dedé Souza, profissional procurado por artistas para trabalhar interpretação, ajuste de repertório e preparação da voz. A movimentação não deve ser entendida como confissão de que ela não sabe cantar. Samara já demonstrou capacidade em diferentes apresentações e integrou uma banda de grande projeção durante anos. Estudar é sinal de responsabilidade, sobretudo em um período de transição no qual a artista precisa reconstruir repertório, identidade, equipe e segurança fora de uma marca consolidada. Também não existe confirmação de que o treinamento esteja ligado a uma contratação por outra banda ou a um anúncio imediato. O que se sabe é que ela continua preparando os próximos passos e compreendeu que a melhor resposta a um comentário sobre desempenho não é atacar quem ouviu, mas fortalecer aquilo que será entregue na próxima oportunidade. Depois de uma saída que não ocorreu no momento escolhido por ela, Samara tem o desafio de evitar que sua carreira seja narrada apenas como “ex-vocalista da Magníficos”. A participação com Zé Vaqueiro foi importante porque a recolocou diante de uma multidão e mostrou que existe interesse público por seu futuro. As críticas também fazem parte desse processo, desde que não sejam usadas como licença para ataques pessoais. O aperfeiçoamento vocal, se acompanhado de repertório forte e direção artística, pode ajudar a cantora a transformar uma fase de incerteza em preparação real para um projeto que tenha sua própria assinatura.

Dorgival Dantas fala no fim da madrugada e questiona posição na grade da ExpoCrato

Sanfoneiro agradece ao público que permaneceu no Parque de Exposições, mas pede a oportunidade de se apresentar em um horário intermediário


Dorgival Dantas protagonizou o desabafo mais direto da pauta durante sua apresentação na ExpoCrato 2026, realizada no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti, no Crato, interior do Ceará. Já na madrugada de 16 de julho, escalado para encerrar uma longa sequência de shows, o cantor interrompeu brevemente o repertório e comentou a posição que costuma receber em grandes grades. Dorgival afirmou que, em algumas ocasiões, é colocado cedo demais, quando parte do público ainda está chegando, e, em outras, tarde demais, depois que a maioria já dançou, bebeu, se cansou ou deixou o evento. Sem desmerecer os artistas que se apresentaram antes e sem atacar nominalmente a produção, disse desejar apenas a oportunidade de tocar em um horário intermediário, capaz de permitir que uma quantidade maior de pessoas acompanhe seu trabalho. A fala foi acompanhada por uma ressalva reveladora: o sanfoneiro reconheceu que o comentário poderia ser interpretado como ingratidão e até prejudicar sua presença em futuras edições. Ainda assim, decidiu prosseguir. Agradeceu a quem permaneceu até o fim e explicou que estava tentando apresentar o forró que aprendeu com o pai e com os grandes sanfoneiros que o antecederam. O episódio não pode ser reduzido a birra por horário nobre. Em festivais com muitas atrações, a posição na grade comunica importância artística e interfere diretamente na quantidade de público, na repercussão do show, na qualidade dos registros e no retorno oferecido ao contratante. Abrir uma festa pode significar cantar para um espaço ainda sendo ocupado; encerrá-la pode obrigar o artista a disputar atenção com o cansaço, a saída do transporte e o esvaziamento natural da madrugada. Dorgival não pediu a retirada de ninguém nem afirmou que deveria ser tratado como a única estrela. Pediu equilíbrio. O detalhe mais forte é que esse pedido partiu de um compositor responsável por músicas gravadas por algumas das maiores vozes do Nordeste, um artista que ajudou a preservar a sanfona dentro de um mercado cada vez mais dominado por bases eletrônicas e que possui repertório suficiente para ser reconhecido desde os primeiros acordes. O desabafo encontrou apoio justamente porque o público entendeu que havia ali uma discussão maior sobre o espaço oferecido ao forró tradicional dentro de eventos que usam o gênero como parte de sua identidade, mas reservam os horários mais disputados a atrações consideradas mais comerciais. Dorgival falou tarde, para uma plateia cansada, sobre o desejo de não cantar sempre tarde demais. A ironia tornou o momento ainda mais forte. No fim desta rodada, o mundo do forró apresentou diferentes maneiras de lidar com exposição e crítica: Márcia Fellipe respondeu criando um palco para outras mulheres; Marlus e as antigas formações continuam cercados por frases que parecem calculadas para provocar; Alex Vieira tentou defender a própria voz e acabou aumentando a polêmica; Samara escolheu estudar em vez de brigar; e Dorgival utilizou o palco para pedir um lugar mais equilibrado no relógio. A música segue tocando, mas os bastidores continuam produzindo capítulos que, em alguns dias, repercutem muito mais do que o próprio repertório.

Joás Sanct

Fotógrafo profissional, cinegrafista e editor audiovisual com 30 anos no mercado de entretenimento. Produtor cultural apaixonado por contar histórias através da imagem. Headbanger raiz, fã de Judas Priest e Slayer. Amante da leitura, da escrita e de novas culturas. Viajante por natureza, sempre em busca de inspiração pelo mundo.

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