A ExpoCrato encerrou sua edição de 2026 reafirmando uma posição que levou mais de oito décadas para ser construída: a de um dos acontecimentos culturais, turísticos, econômicos e artísticos mais importantes do interior do Brasil. Realizada no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti, no Crato, a programação musical ocupou oito noites entre os dias 11 e 19 de julho, com pausa na segunda-feira, dia 13, enquanto a 73ª Exposição Centro-Nordestina de Animais e Produtos Derivados desenvolveu sua programação entre os dias 12 e 19. Mais do que uma diferença de calendário, essa divisão ajuda a compreender a dimensão atual do evento. A ExpoCrato não é apenas uma feira agropecuária acrescida de shows, nem um festival musical que utiliza a tradição rural como elemento decorativo. É uma construção formada por dois grandes eixos que se encontram no mesmo espaço: a exposição histórica, ligada ao campo, aos negócios, à cultura regional e à memória do Cariri, e o festival artístico, responsável por reunir alguns dos principais nomes da música brasileira diante de uma multidão. Em 2026, o evento completou 82 anos de história e chegou à 73ª edição efetivamente realizada, diferença explicada pelas interrupções enfrentadas ao longo de sua trajetória. A programação musical reuniu sertanejo, forró, piseiro, pagode, arrocha, reggae, rock, axé e música popular, provando que a força da ExpoCrato está justamente em sua capacidade de atravessar públicos, estilos e gerações. Henrique & Juliano, Luan Santana, Jota Quest, Edson Gomes, Capital Inicial, Marcelo Falcão, Raimundos, Calcinha Preta, Limão com Mel, João Gomes, Bruno & Marrone, Simone Mendes, Daniel, Dorgival Dantas, Zé Neto & Cristiano, Léo Santana, Wesley Safadão, Nattan, Gusttavo Lima, Xand Avião, Pablo, Raça Negra e Mari Fernandez estiveram entre os nomes que passaram pelo palco. Ao mesmo tempo, artistas cearenses e nordestinos ocuparam a grade e mantiveram a ligação do evento com a produção cultural da região. O resultado foi uma edição marcada por multidões, diversidade de repertórios e um novo recorde de público em uma única noite, registrado na sexta-feira, 17 de julho, quando Wesley Safadão, Nattan, Natanzinho Lima, Raphaela Santos e outros artistas transformaram o parque em um dos maiores pontos de encontro da música popular naquele fim de semana.
A CRIAÇÃO DE UMA EXPOSIÇÃO QUE MUDARIA A HISTÓRIA DO CARIRI
Primeira edição foi realizada em dezembro de 1944, após uma operação que levou animais de raça de Minas Gerais ao interior do Ceará por trens e navio
A história começou oficialmente em 21 de junho de 1944, quando a Portaria nº 100 instituiu a primeira comissão organizadora da Exposição Agropecuária do Crato e nomeou o professor Pedro Felício Cavalcanti como patrono e presidente do grupo responsável pelo evento. O Cariri vivia um período em que o desenvolvimento da agricultura e da criação de animais dependia da aproximação entre produtores, conhecimento técnico, novas raças e melhores condições de comercialização. Os idealizadores da exposição enxergaram a necessidade de criar um encontro capaz de apresentar novidades, promover negócios e colocar o sul do Ceará dentro de uma discussão mais ampla sobre modernização agropecuária. A primeira comissão realizou uma operação complexa para a época. Representantes viajaram até Uberaba, em Minas Gerais, uma das principais referências brasileiras na criação de gado, e adquiriram animais de raça destinados ao melhoramento dos rebanhos da região. O transporte exigiu uma verdadeira travessia nacional: os animais seguiram de trem até o Rio de Janeiro, viajaram de navio para Fortaleza e completaram o percurso novamente por ferrovia até o Crato. A primeira edição, então denominada I Exposição Agropecuária do Nordeste, aconteceu entre os dias 4 e 7 de dezembro de 1944. O evento recebeu autoridades políticas, representantes religiosos, produtores e criadores. O governador do Ceará participou da programação, e o bispo dom Francisco de Assis Pires realizou a bênção das instalações. A exposição conseguiu reunir o setor produtivo e provocar interesse popular, mas sua continuidade não aconteceu imediatamente. As dificuldades econômicas do período posterior à Segunda Guerra Mundial repercutiram também no Cariri, impedindo que o encontro mantivesse uma regularidade anual desde o começo. A exposição foi retomada anos depois no antigo bosque do Crato, área onde atualmente está localizada a Praça Alexandre Arraes. Nesse espaço foram realizadas algumas das primeiras edições posteriores, até que o crescimento do evento exigiu uma sede permanente. Durante a administração municipal de Ossian Araripe e com a participação do Governo do Estado, a exposição foi transferida para a área que se transformaria no atual Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti. A mudança representou um divisor de águas. A partir daquele momento, a feira ganhou melhores condições para receber expositores, visitantes, julgamentos, comércio e programação cultural. O parque deixou de ser apenas um equipamento físico e passou a integrar a própria identidade do Crato. Durante o mês de julho, sua ocupação se tornou um ritual anual para famílias que aprenderam a frequentar a exposição com pais, avós e parentes vindos de diferentes municípios. A dimensão artística ainda não possuía o peso que alcançaria décadas depois, mas a relação entre feira, cultura e confraternização já estava presente.
UMA LINHA DO TEMPO MARCADA POR CRESCIMENTO, INTERRUPÇÕES E RENOVAÇÃO
Dos primeiros encontros rurais ao formato contemporâneo, a ExpoCrato atravessou mudanças econômicas, culturais e tecnológicas sem perder a ligação com a cidade
1944 — Criação da comissão organizadora e realização da primeira Exposição Agropecuária do Nordeste, entre os dias 4 e 7 de dezembro.
Década de 1950 — Retomada das atividades no antigo bosque do Crato, localizado na área onde hoje está a Praça Alexandre Arraes.
Primeiras décadas de consolidação — Transferência para a sede definitiva do Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti, com ampliação da duração e da estrutura.
Décadas de 1970, 1980 e 1990 — Crescimento da programação cultural, fortalecimento do comércio e consolidação da exposição como um dos maiores acontecimentos anuais do Cariri.
Anos 2000 — Popularização da marca ExpoCrato, ampliação da presença de artistas nacionais e transformação dos shows em uma das grandes atrações do evento.
2018 — Reestruturação do setor artístico, que passou a ser trabalhado com maior força como Festival ExpoCrato, recebendo palcos, setores e experiências semelhantes aos grandes festivais nacionais.
2019 — Gusttavo Lima gravou no parque o projeto audiovisual “O Embaixador in Cariri”, aumentando a projeção do evento no mercado musical brasileiro.
2020 e 2021 — As edições presenciais foram suspensas durante a pandemia da Covid-19, interrompendo temporariamente uma das principais movimentações culturais e econômicas do Cariri.
2022 — A ExpoCrato retornou ao formato presencial, provocando forte mobilização do público e retomando sua importância para artistas, produtores, comerciantes e trabalhadores.
2024 — A Arena gratuita foi consolidada como espaço de acesso livre aos shows, respeitando o limite de capacidade determinado pelos órgãos de segurança.
2025 — O evento ampliou sua movimentação econômica e turística, atraindo visitantes de diferentes estados e fortalecendo a rede de hotéis, restaurantes, transportes, comércio e serviços da região.
2026 — A 73ª edição celebrou 82 anos de história, reuniu mais de 50 atrações e registrou o maior público de uma única noite em toda a trajetória da ExpoCrato.
DA TRADIÇÃO REGIONAL A UM DOS MAIORES FESTIVAIS DO INTERIOR DO PAÍS
Expansão da programação musical transformou julho em uma temporada nacional de grandes shows, sem retirar do Crato o protagonismo cultural do evento
A música sempre esteve presente na Exposição do Crato, inicialmente por meio de apresentações regionais, manifestações culturais, bandas locais, sanfoneiros e artistas ligados às tradições nordestinas. Com o passar dos anos, os espetáculos ganharam estruturas maiores e passaram a ocupar um espaço cada vez mais importante na programação. A transformação foi influenciada diretamente pelo crescimento do forró eletrônico no Ceará, especialmente a partir das décadas de 1990 e 2000. Bandas cearenses que se tornaram conhecidas em todo o país passaram a circular por festas, vaquejadas, casas de shows e grandes eventos, e a ExpoCrato se estabeleceu como uma das vitrines mais importantes desse mercado. A programação começou a reunir artistas de alcance nacional sem abandonar intérpretes regionais. Sertanejo, axé, pagode, reggae, rock, arrocha e música romântica foram incorporados ao evento, criando uma característica que permanece até os dias atuais: cada noite pode apresentar uma identidade completamente diferente da anterior. O público que acompanha uma noite de forró romântico não é necessariamente o mesmo que ocupa o parque em uma programação dedicada ao rock ou ao sertanejo, mas todos passam a compartilhar o mesmo evento e a mesma cidade. Em 2018, a área de entretenimento recebeu uma reformulação que fortaleceu a marca Festival ExpoCrato. A estrutura de palcos, iluminação, serviços, camarotes, setores exclusivos e experiências destinadas ao público foi ampliada. A feira agropecuária e o festival musical continuaram ligados, mas passaram a ser apresentados de maneira mais clara como programações complementares. Um dos momentos mais simbólicos dessa transformação aconteceu em 2019, quando Gusttavo Lima escolheu a ExpoCrato para gravar “O Embaixador in Cariri”. O projeto apresentou o parque para milhões de pessoas e demonstrou que o interior do Ceará possuía público, infraestrutura e capacidade técnica para receber uma produção audiovisual de grande porte. A suspensão durante a pandemia provocou perdas que ultrapassaram o setor artístico. Hotéis, bares, vendedores, motoristas, equipes de montagem, comerciantes, produtores e trabalhadores temporários ficaram sem uma das principais oportunidades do ano. O retorno, em 2022, foi recebido como reencontro cultural e retomada econômica. Em 2026, a ExpoCrato encontrou um formato capaz de combinar o acesso gratuito da Arena com áreas pagas destinadas a quem procurava maior conforto. A programação artística deixou de ser apenas um complemento da exposição e se consolidou como uma das maiores temporadas musicais do interior brasileiro.

A EDIÇÃO DE 2026 E A DIVERSIDADE DE UMA GRADE COM MAIS DE 50 ATRAÇÕES
Oito noites reuniram artistas de alcance nacional, nomes regionais, diferentes gerações e estilos que transformaram o Parque Pedro Felício Cavalcanti
A programação de 2026 foi realizada de 11 a 19 de julho, com pausa na segunda-feira, dia 13. A grade foi organizada da seguinte forma:
11 DE JULHO — SÁBADO
Atrações: Henrique & Juliano, Luan Santana, Léo Foguete, Grelo, Eric Land e Diego Facó.
A abertura concentrou alguns dos maiores representantes da música sertaneja e de repertórios que dominam plataformas digitais, rádios e grandes festas. Henrique & Juliano e Luan Santana sustentaram o peso nacional da noite, enquanto Léo Foguete, Grelo, Eric Land e Diego Facó ampliaram a presença da música nordestina contemporânea.

12 DE JULHO — DOMINGO
Atrações: Jota Quest, Edson Gomes, Capital Inicial, Marcelo Falcão, Raimundos, João Paulo e Banda Skema.
A segunda noite mudou completamente a identidade musical do festival. Rock, reggae e pop ocuparam o palco, provando que a ExpoCrato não depende exclusivamente do forró ou do sertanejo. Edson Gomes levou a força histórica do reggae brasileiro; Capital Inicial e Raimundos representaram diferentes momentos do rock nacional; Marcelo Falcão apresentou um repertório construído entre sua carreira solo e a trajetória que o tornou conhecido; e o Jota Quest acrescentou sucessos de forte apelo popular.
13 DE JULHO — SEGUNDA-FEIRA
Não houve programação de shows no Festival ExpoCrato.
14 DE JULHO — TERÇA-FEIRA
Atrações: Seu Desejo, Calcinha Preta, Limão com Mel, Priscila Senna, Vitor Fernandes, Celcinho e Forró Di Nois.
A terça-feira foi dedicada ao forró e à música romântica nordestina. Calcinha Preta e Limão com Mel levaram repertórios que atravessaram gerações, enquanto Seu Desejo, Priscila Senna e Vitor Fernandes representaram novas fases do mercado popular. A noite reuniu nostalgia, sofrência e músicas que continuam vivas na memória do público.
15 DE JULHO — QUARTA-FEIRA
Atrações: João Gomes, Bruno & Marrone, Simone Mendes, Daniel, Dorgival Dantas, Forró do Movimento e Deávele Santos.
A quarta-feira aproximou piseiro, forró de sanfona e sertanejo romântico. João Gomes representou uma geração de artistas que levou a música do interior nordestino às maiores plataformas e palcos do país. Bruno & Marrone, Simone Mendes e Daniel entregaram repertórios consolidados, enquanto Dorgival Dantas reafirmou a importância do compositor e sanfoneiro dentro de uma programação dominada por grandes produções.

16 DE JULHO — QUINTA-FEIRA
Atrações: Zé Neto & Cristiano, Rey Vaqueiro, Henry Freitas, Léo Santana, Tarcísio do Acordeon, Claudioney & Juliana, Pepito e Rafael & Gabriel.
A quinta-feira reuniu sertanejo, forró, vaquejada, piseiro, axé e pagode baiano. Zé Neto & Cristiano chegaram com a força de uma das principais duplas do país; Léo Santana levou uma performance voltada para multidões; Tarcísio do Acordeon, Henry Freitas e Rey Vaqueiro reforçaram a presença nordestina e a conexão do evento com repertórios de festa.

17 DE JULHO — SEXTA-FEIRA
Atrações: Wesley Safadão, Nattan, Natanzinho Lima, Raphaela Santos, Lipe Lucena, Isa Sá e Natan Alves.
A sexta-feira entrou para a história ao registrar o maior público de uma única noite da ExpoCrato. A combinação de Wesley Safadão, Nattan e Natanzinho Lima reuniu artistas capazes de mobilizar públicos de diferentes idades, enquanto Raphaela Santos levou ao Cariri a força do brega romântico pernambucano. O recorde confirmou a capacidade do evento de atrair multidões sem depender de uma única atração.

18 DE JULHO — SÁBADO
Atrações: Xand Avião, Zé Vaqueiro, Jonas Esticado e Fernandinha.
Gusttavo Lima estava previsto inicialmente como uma das principais atrações da noite de 18 de julho, mas sua apresentação foi cancelada antes da realização do evento. De acordo com a explicação divulgada pela organização da ExpoCrato, houve atraso no envio de uma documentação considerada indispensável para a formalização da contratação, o que impediu a conclusão dos procedimentos administrativos dentro do prazo necessário. A produção afirmou que buscou alternativas para manter o cantor na programação, mas não conseguiu finalizar as etapas exigidas a tempo.
Dessa forma, Gusttavo Lima não subiu ao palco da ExpoCrato em 2026, e a ligação histórica do artista com o evento permaneceu restrita às passagens anteriores, especialmente à gravação do projeto audiovisual “O Embaixador in Cariri”, realizada no parque em 2019. A programação do sábado prosseguiu com Xand Avião, Zé Vaqueiro, Jonas Esticado e Fernandinha, que conduziram a penúltima noite do festival com repertórios ligados ao forró eletrônico, ao piseiro e à música popular nordestina. Xand Avião representou a trajetória de um dos artistas mais importantes da expansão nacional do forró, enquanto Zé Vaqueiro e Jonas Esticado reforçaram a presença da nova geração do gênero. Fernandinha completou a programação, mantendo a participação de artistas regionais em uma das noites mais aguardadas da edição.

19 DE JULHO — DOMINGO
Atrações: Pablo, À Vontade, Raça Negra, Mari Fernandez, Michele Andrade, Nuzio Medeiros, Pagode Delas, Leonardo de Luna e Antônio Marques.
O encerramento foi conduzido por uma programação marcada pela música romântica, pelo arrocha, pelo pagode e pelo forró. Pablo levou a sofrência que o transformou em uma das vozes mais reconhecidas do gênero; Raça Negra reuniu sucessos conhecidos por diferentes gerações; Mari Fernandez representou a renovação do forró; e as demais atrações completaram uma despedida que manteve a diversidade apresentada ao longo da edição.

COMO FUNCIONARAM OS SETORES DE ACESSO DA EXPOCRATO 2026
Estrutura foi organizada em blocos simples, com Arena gratuita e áreas pagas destinadas a diferentes experiências
ARENA
A Arena funcionou como o coração popular do festival e teve acesso gratuito. Não foi necessário realizar cadastro, apresentar ingresso ou comprar qualquer produto para entrar no setor. O acesso ficou sujeito à capacidade máxima definida pelos órgãos responsáveis, o que significa que a entrada poderia ser interrompida quando o espaço atingisse sua lotação. A estrutura contou com bares temáticos, praça de alimentação, banheiros, áreas destinadas a fotografias, segurança privada, ativações de patrocinadores e roda-gigante.
ÁREA PREMIUM
A Área Premium foi um setor pago destinado ao público que buscava maior conforto e visão privilegiada para o palco. O espaço possuía área parcialmente coberta, bares cenográficos, praça de alimentação, banheiros exclusivos e ambientes destinados a fotografias. Foram comercializados ingressos nas modalidades inteira, inteira social e meia-entrada. Na inteira social, o comprador precisava entregar um quilo de alimento não perecível na entrada. A meia-entrada exigia documento válido que comprovasse o direito ao benefício.
LOUNGE OLD PARR
O Lounge Old Parr foi apresentado como a experiência mais exclusiva do festival. Instalado em área elevada, o setor ofereceu lounge premium, buffet, bar exclusivo, espaço destinado a fotografias, segurança privada e acesso à Área Premium. O ingresso do Lounge não seguiu as mesmas modalidades da Área Premium e dava acesso aos serviços anunciados especificamente para o espaço.
CAMAROTE CORPORATIVO
O Camarote Corporativo foi destinado principalmente a empresas, grupos e convidados. Os espaços foram organizados para até 25 pessoas e incluíram decoração, área de descanso, banheiros exclusivos, atendimento de garçons, segurança privada, cardápio personalizado, espaço para fotografias e visão elevada do evento.
REGRAS GERAIS DE ACESSO
A entrada de coolers e bebidas foi proibida em todos os setores. Crianças e adolescentes estiveram sujeitos às regras estabelecidas pela Vara da Infância e Juventude do Crato. Menores de 14 anos somente puderam entrar e permanecer acompanhados dos pais, responsáveis legais ou acompanhantes devidamente autorizados. Adolescentes entre 14 e 16 anos precisaram apresentar documento e autorização ou permanecer acompanhados. Jovens entre 16 e 18 anos puderam acessar o evento sem acompanhante, desde que portassem documento oficial com fotografia. A venda e o fornecimento de bebidas alcoólicas, cigarros ou produtos semelhantes para menores permaneceram proibidos.
A CULTURA DO CARIRI COMO PARTE ESSENCIAL DO EVENTO
Festival musical ganhou dimensão nacional, mas identidade da ExpoCrato continua ligada à cidade, aos artistas regionais e às manifestações populares
A grandiosidade das atrações nacionais não elimina o papel cultural desempenhado pela cidade do Crato. A ExpoCrato ocorre em uma região reconhecida por manifestações populares, tradição religiosa, literatura de cordel, bandas cabaçais, artesanato, gastronomia e uma produção musical que ajudou a definir a identidade do Nordeste. O Cariri não funciona apenas como cenário para artistas vindos de outros estados. A região participa ativamente da construção do evento por meio de trabalhadores, produtores, músicos, artistas locais, comerciantes, técnicos, comunicadores e público. A presença de atrações regionais na grade é fundamental porque impede que a programação seja tratada apenas como uma sequência de turnês nacionais. Quando um cantor do próprio Cariri sobe ao palco, ele não representa um preenchimento de horário, mas a continuidade de uma cultura produzida durante todo o ano. A ExpoCrato também atua como ponto de encontro de pessoas que deixaram a região e retornam em julho para rever familiares, amigos e lugares. A festa movimenta memórias pessoais e cria uma sensação coletiva de pertencimento. Para muitos moradores, o início da ExpoCrato é reconhecido pelas mudanças no trânsito, pelo aumento do movimento, pela chegada de visitantes, pela montagem das estruturas e pela expectativa em torno das atrações. O evento modifica temporariamente a rotina da cidade, mas também amplia sua visibilidade nacional.
O IMPACTO SOBRE O TURISMO, O COMÉRCIO E A ECONOMIA REGIONAL
Hotéis, restaurantes, transportes, lojas e trabalhadores temporários sentem diretamente a movimentação provocada pela programação
A importância econômica da ExpoCrato ultrapassa os limites do parque. Durante os dias de evento, hotéis e pousadas do Crato, de Juazeiro do Norte, de Barbalha e de outros municípios registram aumento da procura. Restaurantes, bares, supermercados, salões de beleza, lojas de roupas, empresas de transporte, motoristas de aplicativo, táxis e serviços rodoviários recebem um fluxo extraordinário de consumidores. A cadeia artística também movimenta montadores, técnicos de som, iluminadores, produtores, seguranças, profissionais de limpeza, carregadores, fotógrafos, cinegrafistas, comunicadores e prestadores de serviços. O Aeroporto de Juazeiro do Norte se transforma em uma das principais portas de entrada para artistas, equipes e turistas. A rede viária regional recebe ônibus, vans e veículos particulares vindos de diferentes estados. Esse movimento faz da ExpoCrato um evento regional, apesar de acontecer fisicamente dentro do município do Crato. A programação beneficia cidades vizinhas e fortalece a imagem do Cariri como destino cultural e turístico. A Arena gratuita amplia essa importância ao permitir que pessoas sem condições de pagar ingressos tenham acesso aos grandes shows. O modelo não elimina as diferenças entre setores populares e espaços exclusivos, mas mantém uma característica democrática que desapareceu de muitos festivais brasileiros: a possibilidade de acompanhar artistas nacionais sem cobrança obrigatória.
QUEM FAZ A EXPOCRATO ACONTECER
Evento depende da participação conjunta de entidades agropecuárias, produtores culturais, Prefeitura do Crato, Governo do Ceará, patrocinadores e empresas privadas
A ExpoCrato não pode ser atribuída a uma única instituição. Sua realização depende de uma rede que reúne entidades ligadas ao setor agropecuário, associações de criadores, poder público, empresas produtoras, patrocinadores, prestadores de serviços e agentes financeiros. A exposição tradicional envolve instituições responsáveis pela programação técnica, pelos expositores, pelas atividades do campo e pelas oportunidades de negócios. A Prefeitura do Crato participa das ações de infraestrutura, limpeza, mobilidade, fiscalização, ordenamento urbano, apoio turístico e serviços públicos. O Governo do Ceará atua por meio de órgãos estaduais, segurança, desenvolvimento econômico, turismo e apoio institucional. O Festival ExpoCrato, ligado à programação musical, exige uma operação privada específica para contratação dos artistas, montagem das estruturas, comercialização dos setores e execução técnica dos shows. Embora feira e festival compartilhem a mesma marca e ocupem o mesmo parque, cada parte possui responsabilidades próprias. Essa divisão é necessária para que o evento consiga funcionar durante o dia como exposição, centro de negócios e espaço cultural e, durante a noite, como um festival preparado para receber multidões.
UMA EDIÇÃO QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA
Recorde de público, diversidade musical e manutenção da Arena gratuita consolidaram 2026 como um dos capítulos mais expressivos da trajetória da ExpoCrato
A edição de 2026 terminou com motivos suficientes para ser lembrada como uma das mais importantes da história recente. O evento celebrou 82 anos, chegou à 73ª edição, reuniu mais de 50 atrações, manteve o acesso gratuito à Arena e apresentou uma grade capaz de atravessar quase todos os grandes segmentos da música popular brasileira. O recorde de público alcançado em 17 de julho mostrou a força comercial e cultural da programação, mas a importância do evento não deve ser reduzida a uma única noite. A verdadeira dimensão da ExpoCrato aparece quando se observa a sequência completa: artistas veteranos dividindo a programação com novas vozes; bandas históricas do forró encontrando uma geração formada pelas plataformas digitais; noites de rock e reggae convivendo com sertanejo, pagode e arrocha; trabalhadores regionais integrados a uma grande estrutura; e uma cidade inteira se tornando referência nacional durante o mês de julho. O evento nasceu em 1944 com o objetivo de melhorar rebanhos, estimular negócios e fortalecer a agricultura do Cariri. Oito décadas depois, transformou-se em uma plataforma que reúne tradição, tecnologia, música, turismo, comércio e identidade cultural. O palco ficou maior, os equipamentos se modernizaram e a comunicação alcançou milhões de pessoas, mas o elemento que sustenta a ExpoCrato continua sendo o mesmo: a capacidade de reunir o Cariri em torno de um acontecimento que pertence à sua história. Em 2026, a festa não apenas celebrou o passado. Demonstrou que ainda possui força para se renovar, receber novas gerações e ocupar um espaço de destaque no calendário cultural brasileiro. A ExpoCrato chegou ao fim deixando a imagem de um parque novamente tomado pelo público, de artistas diante de multidões e de uma cidade consciente do tamanho do evento que ajudou a construir. Mais do que uma exposição ou um festival, a ExpoCrato permanece como uma das maiores expressões da força cultural do interior do Nordeste.


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